22 de jun de 2018

CLANDESTINIDADE

Por mais que não me olhe
Imagino que imagina quando olha,
Mesmo que a cidade nos estreite
Na sua mesquinhez e no seu espaço
No entulho de objetos e pessoas,
Mesmo que só pense em sua aparência
E a vida se espalhe cheia de cotidiano,
De exageros e besteiras.

Pode imaginar muito pouco,
Mas se imagino em demasia
Vejo o que imagina em você,
Me imagino assim e me deito
Naquilo que invento e entro
Às escondidas em amplitude.

Não acredito no que sou
Nem naquilo que você julga ser,
Pois deixamos de ser quando vistos.
Não importa a largura e a altura
De como nos imaginamos,
Mas uma coisa nos destina:
Ocultamente encostamos um no outro.

Um comentário:

ROGEL DE SOUZA SAMUEL disse...

somos sombras

nada sabe a nada
neste e no outro mundo

nada é
o que pensa que é

somos sombras
névoa que se dissipa na curva da estrada
ao sol da manhã

certa vez eu vi um monte enevoado
era uma alta montanha
longe, bem longe dos olhos
nunca me esqueci
era a cordilheira dos Himalaias
ao longe, bem longe
como uma visão excelente
de algo portentoso e belo

somos sombras
o mundo presente
e o mundo dos sonhos

rogel samuel