13 de abr de 2011

PÔR



ver como o sol no fim da tarde
numa variação de cores tão intensa
que piscar é se deixar em últimos raios
no entre das brechas
de uma casa, de um prédio
de uma pessoa e outra

dos homens que passam andar por entre o vão das pernas
do salto alto da mulher atravessar feito um pouco de ar

(podem pensar que neste modo de olhar
neste modo de sentar existe alguma tristeza.
o que fazer se esse instante é o de se pôr
e esquecer do que em nós também faz se pôr)

do extremo duma ampla avenida
se pode ver melhor o pôr
escorrendo na língua dos raios

entre às cinco e seis da tarde
no fragmento das longas sombras
o sol, a luz, as pessoas
todos assim se esfregam ao rés do chão




*fotografia sem crédito encontrada na net

4 comentários:

Zélia Guardiano disse...

Magnificos versos, Jefferson!
Lindos demais!
Falaste por mim, que tanto me encanto com o pôr-do-sol, mas nunca encontro as palavras, assim, tão certas...
um abraço.

teca disse...

Versos de outono... eu gosto das palavras...

Beijo.

MIRZE disse...

Maravilhoso, Jefferson!

Vale tudo para ver o Pôr do sol!

É um momento diário, rotineiro e único, que vai de olhar entre as brechas e até escolher piscar ou não!

Excelente!

Beijos

Mirze

ROGEL SAMUEL disse...

belo poema e difícil... vou ter de ler varias vezes para penetrar (e agora é madrugada... de sonhar).