23 de jan de 2010

O Branco e o Mal nos 'poemas-corpo'

Um amigo me enviou um email (fico muitíssimo grato) no qual me comentava sobre a influência do Mal nos ‘poemas-corpo’ e que, por isso, eles se tornam ainda mais fortes e belos, pois a arte maldita representa a grande e necessária infração moral. Contudo, em resposta, digo que estes poemas não estão sob o signo da maldição. Por isso, não são malditos.
A sensualidade maldita ou marginal toma força, sobretudo, com os românticos. E, depois, como se sabe, aparecem outros enquanto ecos. Sim, estão submetidos ao Mal. A presença da lascívia para a maldição e para a marginalidade se relaciona à transgressão de estar do lado oposto à moral “superior”. Assumem tal papel. E andam pelo lado selvagem. Sentem deliciosamente o prazer condenado. Descobrem que pode haver a beleza do Mal, porque há o Bem.
Os poemas-corpo entendem que ser maldito está no oposto de ser bendito, mas ligados por uma mesma linha que os dispõe bem próximos. Na mesma proporção, ambos se subjugam, porque ouvem uma mesma ordem, ao prazer do feitiço e ao prazer da bondade. Quem está no ‘corpo’ nem pensa em lançar flechas ao que liberta nem ao que reprime. Há uma satisfação que não está no corpo por si, mas em senti-lo. E que se eu disser o que ele é não o será mais. Sinta-o.
Mas, se os poemas-corpo transgridem, conforme você diz, isso o fazem porque não querem transgredir. Então, o branco – por ser o mais antigo – não está na oposição ao ‘preto’ (afirmação que faz alusão a um poema anterior). Ele é branco de uma leveza que não divide bondade nem maldição. É simplesmente corpo e, dessa maneira, vamos à direção certa das profundezas superficiais da pele.

2 comentários:

ROGEL SAMUEL disse...

o corpo é sagrado, é através do corpo que se obtém o supremo estado de Buddha, e é através do erótico que acontece o Despertar.
o pior problema da consciência ocidental é identificar o sagrado corpo com o mal, com o demônio, com a ilegalidade, a perdição, a decadência.
não, nada há, na natureza e na cultura, tão belo quanto o corpo...

Paulo Medeiros disse...

Perfeita sintetisação. Concordo plenamente com você.
Abraços, Jefferson.