14 de out de 2015

BASTOU PASSAR À BEIRA-MAR


bastou passar à beira-mar
ver atento, ouvir o zumbido,
limpar o banho, o ar, a praia
ver sem brilho e bronzeado.

depois de o sol descer e arder
os olhos viam vermelhos de sal
eram de brasa salina, sanguínea
e não tingiu o rosto do banhista.

mas se podia ver o mar temível
extraindo pernas braços olhos.
o mar - o grande mar - era recuo
permanente nesta sua crescente.

arrastou - e arrasta - banhistas
interessados no lazer dos dias,
mas o mar inundava de sangue
marinho, vinha de águas trazidas

era o sangue de quem chega
o sangue marítimo de extração
o sangue de túmulos de ouro
o sangue de assassinos heróis.

sim, digo que de mim arrastam 
o vermelho de lágrimas e alergias
e o vermelho que tinge o rosto 
de tanto rir de quem na praia fica. 

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