23 de mar de 2014

QUARTA-FEIRA DE CINZAS I



depois da quarta de cinzas 
o tempo passa 
na rotina morna de ver
num amontoado de restos.
depois da festa se vive
nas sobras, nas obras 
inacabadas da cidade.
a gente fica indiferente
as ruas os pés os olhares
tudo fica só neblina.
quanta bruma pesava
na alma desta pessoa
que inventou as cinzas!
a vida assim se esconde
o tempo se afoga incolor 
não tem afoxé, fantasia
nem dança, nem bloco
quase nenhum sorriso.
quarta-feira de cinzas
fecha os dias de poder
dançar e abrir os braços.
no resto dos dias cinzas
quando chegam a sufocar
atravessamos as migalhas
deixadas em alguma esquina
em algum olhar ou fantasia
de alguém que se esquece
e conta uma outra estória
saímos de nós e ali mesmo
sorrimos como quem dança
e sem nos ver dançamos
ali mesmo um para o outro.

3 comentários:

António Eduardo Lico disse...

Bela poesia.

ROGEL SAMUEL disse...

seu poema HOJE VOU ESCREVER LUA é extraordinário pela excelência - peço para publicá-lo no meu blog

Jefferson Bessa disse...

Bom que gostou, Rogel! Fique à vontade para publicá-lo. Para mim é uma honra.