11 de jan. de 2010
todo lugar vira outro
todo lugar vira outro.
quando chego já me retiro.
ou quero voltar. ou ir.
ou quero chegar. ou ficar.
é tão absoluto ficar onde não-fico -
solto-me do lugar e
na estabilidade de onde
não-chego
é que chego
o sempre transportar
ultrapassar portas
soltar–me de todas elas
subindo rampas
pontes e viadutos.
subo escadas
da minha subida no subir
a sempre dar saltos
saindo e entrando
pelo lugar que é outro.
contudo o lugar-outro
é tão correto, tão ele mesmo
que me retiro
e me vou para outro
eu e lugares independentes
desligo-me
faço estar onde não-estou
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Gagueiras
5 de jan. de 2010
luz laranja fim de tarde
na luz laranja fim de tarde
desce o odor de dourado táctil
na leitura erguida que abrasa
por entre o azul que cintila
se desnuda quente deste verso
o inundado vermelho da tez fina
na cor destes olhos vou deitar-me
mergulho do que no corpo percorre
para todas as cores lamber
feito o declive do tecido rasteiro
e quase plano da língua do sol
que eleva a coragem de ver corpo
desce o odor de dourado táctil
na leitura erguida que abrasa
por entre o azul que cintila
se desnuda quente deste verso
o inundado vermelho da tez fina
na cor destes olhos vou deitar-me
mergulho do que no corpo percorre
para todas as cores lamber
feito o declive do tecido rasteiro
e quase plano da língua do sol
que eleva a coragem de ver corpo
*fotografia de Jefferson Bessa
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1 de jan. de 2010
Aquário

toda coisa tem seu aquário
que a nado passa nessas águas.
contudo é de um azul encharcado
embaraçado entre algas.
confluência escorrida fluvial
na brecha aquariana de passar.
desce por um fio como rio
como braço estendido.
todo aquário nasce rachado
como o rio tem uma boca.
todo encontro é como enchente
para fora das suas águas.
que a nado passa nessas águas.
contudo é de um azul encharcado
embaraçado entre algas.
confluência escorrida fluvial
na brecha aquariana de passar.
desce por um fio como rio
como braço estendido.
todo aquário nasce rachado
como o rio tem uma boca.
todo encontro é como enchente
para fora das suas águas.
Pintura retirada da net e sem créditos. Ela representa Aquário (décimo primeiro signo do zodíaco).
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26 de dez. de 2009
nudez rasa
ficar na cama com o calor
e ter o corpo sem envergadura
arrastar todo meu rosto ao suor
na nudez rasa em seu desenho
fluir sempre devagar por entre braços
venerados na linha reta das curvas
estar alinhado como verso
entrelaçado em pernas volumosas
olhar a tarde em névoa quente
deixar-me escorrer por mãos
atentar ao corpo em pouco raciocínio
como simples calor a pele sente
e ter o corpo sem envergadura
arrastar todo meu rosto ao suor
na nudez rasa em seu desenho
fluir sempre devagar por entre braços
venerados na linha reta das curvas
estar alinhado como verso
entrelaçado em pernas volumosas
olhar a tarde em névoa quente
deixar-me escorrer por mãos
atentar ao corpo em pouco raciocínio
como simples calor a pele sente
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20 de dez. de 2009
identidade
primeiro inventaram a identidade
segundo me disseram que eu a perdi
terceiro digo a todos que nunca a tive.
perdi a identidade, mas só o papel
esta que faz de mim números apenas,
por ela se faz numerologia até.
se vê meu destino, se vê meu espelho
e se sou um todo ou diversas partes.
depois de procurar pela casa inteira
confesso que aqui perdi só a de papel
deram-me pronta como se fosse eu
essa é a que poderia perder, é a que tive
mas ela – que é a única que sempre existiu –
posso ganhar, tirar a segunda via
mas essa outra nunca senti em meu corpo
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14 de dez. de 2009
Corpo que escrevo
o verso se volta para você
quando nossas mãos cruzam
a ver meu rosto desnudo nos roçar
mas não somos um único em fusão
estamos um entre o outro
como a luz perpassa o vidro
como a hora de ser o dia.
deitado na calma de transpirar
sentir-se tranquilo e ir pela saída
é quando me volto para mim
e porque saio de mim evaporando
torno úmido seu corpo que escrevo
quando nossas mãos cruzam
a ver meu rosto desnudo nos roçar
mas não somos um único em fusão
estamos um entre o outro
como a luz perpassa o vidro
como a hora de ser o dia.
deitado na calma de transpirar
sentir-se tranquilo e ir pela saída
é quando me volto para mim
e porque saio de mim evaporando
torno úmido seu corpo que escrevo
fotografia de Jefferson Bessa
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6 de dez. de 2009
SALVAR
retirar-se do perigo
dos abismos
das doenças
dos dragões
nada tem a ver com salvar
livrar-se do maldito
dos cinismos
das crenças
dos ladrões
nada tem a ver com salvar
salvar é acariciar o indesejável
brincar no meio da rua
desejar todos os sexos
ou ainda
viver o remédio como
se vive a moléstia
comer a hóstia como
se bebe vinho
ou ainda
ser preto no branco
como sal entre areia escura
salvar é deixar em ruína
tudo que é seu tempo.
é deixar em silêncio
o som nos tímpanos
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29 de nov. de 2009
Minha Letra é Outra: um novo poema em novo blog

Clique AQUI para ser direcionado ao outro blog que construí. Ele foi elaborado exclusivamente para a publicação de um poema escrito por mim e intitulado "Minha Letra é Outra". Por enquanto, o poema é composto por oito cantos.
Abraço a todos.
Jefferson
20 de nov. de 2009
12 de nov. de 2009
Buscar
hoje ficarei em casa
de antemão sei que nada vou achar - não sairei
até iria se não buscasse nada, mas hoje insisto em procurar - como quando perco algo em casa
se tivesse perdido alguma coisa, não hesitaria a sair, é certo!
ainda que eu não encontrasse e provavelmente não encontraria. mas saberia o que buscar
pensei em inventar algo para procurar. hoje, contudo, não posso
então estou aqui e escrevo isto – e com isto escrito não busco nada
afirmo: ao terminar de ler nada encontrará. bastaria ler sem esperar nada; assim como eu escrevo isto
nem penso mais no que deve ter de agradável ou desagradável em não buscar
começo a curtir isto que não leva ao fim de nada
então fique certo de que não há nada aos pés do que se lê
no fim dele não há saída, porque não sairia por nenhuma porta que não tivesse entrado
não procuro saída
surge agora o que não busquei - não é contemplação, nem epifania
nem vou buscar saber o que é!
no entanto, eclode a forma de mim e por ela saio pleno.
basta ler:
é só não sair para conseguir sair, por isso agora sairei
vou à rua
(Jefferson Bessa)
* figura que representa o ajna
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5 de nov. de 2009
Comentário de Rogel Samuel sobre o verso-corpo de Jefferson Bessa
Escreveu Rogel Samuel:
Jefferson Bessa escreveu um dos seus melhores poemas, o mais erótico, o mais interessante.
Na realidade ali vejo, ali leio um ato copular, excelente e sensual. A poesia erótica fina, que tem sua própria estética, como escreveu o autor: "Penso que os melhores são os que fazem do erotismo uma própria estética...pensar na constituição de um verso com o erotismo que há no corpo humano e, por outro lado, o verso que se torna erótico por ser também um corpo ao lado de outro corpo - o corpo humano".
Nada melhor, nada mais sagrado do que a expressão do corpo humano, com seus músculos, com seus braços, ombros e mãos, e mesmo o "verso vigoroso". Difícil é esta arte de expressar a erótica da arte, ou seja, a estética erótica.
São poucos os escritores de eros, poucos que sabem (de sabor e de saber) dar conta do corpo de prazer.
Os antigos gregos o sabiam. Os grandes iogues tântricos o praticavam. Nossa civilização foi perdendo e desgastando e corrompendo esta arte fina.
verso-corpo
Jefferson Bessa
no vão do braço
no vão dos músculos
o verso sobe e se deita
na contração natural se esvai,
na linha de fibra cordial
o verso desce e desliza
ombros e mãos se elevam
tudo recebe assim afável
a cavidade crescente cortês
o corpo se abre como assento
nele aqui deixarei se sentar
o verso ofertado e mais vigoroso
Jefferson Bessa escreveu um dos seus melhores poemas, o mais erótico, o mais interessante.
Na realidade ali vejo, ali leio um ato copular, excelente e sensual. A poesia erótica fina, que tem sua própria estética, como escreveu o autor: "Penso que os melhores são os que fazem do erotismo uma própria estética...pensar na constituição de um verso com o erotismo que há no corpo humano e, por outro lado, o verso que se torna erótico por ser também um corpo ao lado de outro corpo - o corpo humano".
Nada melhor, nada mais sagrado do que a expressão do corpo humano, com seus músculos, com seus braços, ombros e mãos, e mesmo o "verso vigoroso". Difícil é esta arte de expressar a erótica da arte, ou seja, a estética erótica.
São poucos os escritores de eros, poucos que sabem (de sabor e de saber) dar conta do corpo de prazer.
Os antigos gregos o sabiam. Os grandes iogues tântricos o praticavam. Nossa civilização foi perdendo e desgastando e corrompendo esta arte fina.
verso-corpo
Jefferson Bessa
no vão do braço
no vão dos músculos
o verso sobe e se deita
na contração natural se esvai,
na linha de fibra cordial
o verso desce e desliza
ombros e mãos se elevam
tudo recebe assim afável
a cavidade crescente cortês
o corpo se abre como assento
nele aqui deixarei se sentar
o verso ofertado e mais vigoroso
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4 de nov. de 2009
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