meus pés amanheceram hoje mais cedo mais além
do nosso sexo ontem à noite
meu passo acelerado pela casa me traz de repente agora
esta fotografia feita há três dias:
de pé fiz esta pose sem rosto - ombros e peitos estufados
de um corpo bajulador
cedo lavei todo o odor de sua mão que me passou no descanso e
no declive visível de meu pescoço
pensei – me lembro - na passagem e assim me coloquei inteiro
na clareza da escada do tempo
sob a capa do breve e do imperecível o simples vira uma pedra
polida feito uma ideia sem saída do lugar
e minha pele se assassinada ficará ao servil de um espectro
que um dia a fez instrumento
agora já estou na cama - sem a volta - e ficarei até anoitecer
sob o lençol úmido de seu rio
e seu dedo na firmeza crescente por entre dentes já sinaliza a
face do mamilo trêmulo em minha língua