um papel escrito
à minha frente
tem o peso leve
do vir ao mundo.
um papel escrito
que se completa
grita o som do dia
sem pôr o fim.
um papel escrito
é esta palavra
rasteira nos úmidos
planos da mão.
18 de abr. de 2009
PAPEL ESCRITO
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Folhas e Brancos
5 de abr. de 2009
Miragem

Quem se vê iludido
Vive a soberba
Na miragem da vida que não foi.
Poetas vivem assim:
Não são poetas – são miragens!
Enxergam a milhas
E entram todos na histeria
- Sedentos de morte.
Frustração mórbida
Do que ele mesmo deveria ser
Do que deveria o outro ser:
Seu corpo é o céu
Faz da terra a senhora da morte
E da vida, consumação.
No fundo
São destroços deitados
Na casa do desatino;
Poeira de sonhos diurnos
Sob a mais forte luz desejada.
Muitas moradas hipnóticas
Eles cantam por aí.
Não sei. Mas se encontro um desses
Vive a soberba
Na miragem da vida que não foi.
Poetas vivem assim:
Não são poetas – são miragens!
Enxergam a milhas
E entram todos na histeria
- Sedentos de morte.
Frustração mórbida
Do que ele mesmo deveria ser
Do que deveria o outro ser:
Seu corpo é o céu
Faz da terra a senhora da morte
E da vida, consumação.
No fundo
São destroços deitados
Na casa do desatino;
Poeira de sonhos diurnos
Sob a mais forte luz desejada.
Muitas moradas hipnóticas
Eles cantam por aí.
Não sei. Mas se encontro um desses
Dou-lhe um susto!
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Gagueiras
23 de mar. de 2009
18 de mar. de 2009
15 de mar. de 2009
Quiromancia - Rogel Samuel

Rogel Samuel
Jefferson Bessa escreveu:
Quiromancia
abro as linhas das mãos
e vejo o instante
das estreitas linhas
das nuvens com o céu:
assim se abrem
os brancos e as linhas
destes versos
Jefferson Bessa escreveu:
Quiromancia
abro as linhas das mãos
e vejo o instante
das estreitas linhas
das nuvens com o céu:
assim se abrem
os brancos e as linhas
destes versos
Nas linhas de suas mãos estão as quilhas das suas naves, das aves que voam no seu rumo, no céu está escrito com que e com quem você deve navegar, viajar, as linhas finas de seus versos. A Quiromancia interpreta o presente onde está o horizonte do futuro e o eco do passado, a estrutura do viver. Ali está inscrita e subscrita a vida, a forma do destino, o perfil das nuvens do céu, as linhas e os detalhes das curvas da vida, da sorte, do caráter, da personalidade e do amor. Somos escritos nas estrelas das palmas de nossas mãos, estamos nas palmas daquela entidade, daquela divindade que nos contém e nos escreve.
Nossos segredos estão desenhados nas finas linhas de cada mão, na mão que segura a mão, que transmite a outra mão o seu ter e o seu teor, pois, como escreveu Rosa no Grande Sertão, o que a mão diz a outra mão é o curto, na adivinhação das carícias e segredos através da interpretação das linhas das mãos e dos poemas, que revelam o destino, a sorte da poesia, da fantasia do Passado, Presente e Futuro. Ali registrados estão no formato de linhas de um caderno vivo da carne quente das mãos que se acariciam, que determinam, os nossos estados de consciência.
Palmistry é o estudo das características da poética, a temperatura da música dos nossos versos.
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12 de mar. de 2009
Quiromancia
abro as linhas das mãos
e vejo o instante
das estreitas linhas
das nuvens com o céu:
assim se abrem
os brancos e as linhas
destes versos
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Folhas e Brancos
4 de mar. de 2009
Saber de coração

Se saber de cor é saber de coração
O coração se tornou rouco
Sente sem sentir
Bate num compasso
De não mais sentir quando lembra.
Esse coração se mostrou memória
E pereceu
Esse coração guardou e estalou
O coração se tornou rouco
Sente sem sentir
Bate num compasso
De não mais sentir quando lembra.
Esse coração se mostrou memória
E pereceu
Esse coração guardou e estalou
Mas agora eu não sei mais saber sem ser de cor.
Pendurei-me numa corda, preguei meu coração
Pois vivo de cor
Falo de cor
(Assim mesmo. Sempre repetindo)
Danço
Amo vejo
Ouço penso
Tudo de cor
Vibro de ternura com o previsível
Deleito-me com flores fixas em vaso
Se saber de cor é saber de coração
Meu coração vive rouco
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27 de fev. de 2009
23 de fev. de 2009
No mar que nada tem a dizer - Rogel Samuel
O escritor Rogel Samuel fez o seguinte comentário
Jefferson Bessa escreveu um poema que diz:
Deixe-me no mar que nada tem a dizer
Deixe enrolar-me
nas ondas que florescem
Cá na beira onde meu corpo
se dobra
Por lá não posso estar
Mas aqui na ponta do mar
desponta o que bate em mim
Em mim que não sou,
Mas que sou com o mar o que brota
em cada baque
seu
neste litoral
Deixe-me no mar que nada tem a dizer
Deixe enrolar-me
nas ondas que florescem
Cá na beira onde meu corpo
se dobra
Por lá não posso estar
Mas aqui na ponta do mar
desponta o que bate em mim
Em mim que não sou,
Mas que sou com o mar o que brota
em cada baque
seu
neste litoral
Seu mar é seu próprio corpo, nomeado. Nomear é a presença! A impessoalidade é um fenômeno humanamente trágico, embora “normal”, visto no plano poético. Seu litoral é o limite de seu não-ser. Mas o impessoal, que se vê como mar, que tem a consciência de ser mar, ou que tem a sabedoria do vazio, é o poético. Esse vazio, ser mar, nada-ser ou não-ser-nada, quer ser algo: quer ser si mesmo, o resultado de seu esforço por ser-algo é o acontecimento de seu despontar "em mim que não sou".
O que o poema diz é: deixe-me ser como sou! deixe-me ser o que sou!
O nada, ao emancipar-se, ao passar a ser, esbarra na inutilidade de seus esforços do despontar aquilo que brota a cada instante em si, em cada onda.
Todo esforço, que parte de algo que tende a explicar-se, é ser mais, portanto na natureza do esforço mesmo de ser deixado em paz, a partir do nada, reside uma pretensão de emancipar-se, portanto de ficar em paz.
A realidade do poema: o sujeito é o objeto: deixe-me significar o que dei-me de mim a mim-mesmo o direito de ser.
O mar nada tem a esconder, a me dizer, pois sou eu-mesmo que me visto de oceano.
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20 de fev. de 2009
No mar que nada tem a dizer - Jefferson Bessa
Deixe-me no mar que nada tem a dizer
Deixe enrolar-me
nas ondas que florescem
Cá na beira onde meu corpo
se dobra
Por lá não posso estar
Mas aqui na ponta do mar
desponta o que bate em mim
Em mim que não sou
Mas que sou com o mar o que brota
em cada baque
seu
neste litoral
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Escritos versos
14 de fev. de 2009
Na mesma prata reluzente
Quando se vê a lua escrita
Dela cintila plena
Aqui seu brilho ao céu.
Caindo aos olhos
Mantém-se erguida correta
Na mesma altura noturna
Dessa lua daqui.
Na mesma prata reluzente
Dessa lua daqui.
Mas é que a força da lua escrita
Respira a ancestralidade
Da lua que se faz lua.
Quando se vê a lua escrita
A sombra silenciosa
Dela flameja
Aqui sua vida ao céu.
(Jefferson Bessa)
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Escritos versos
7 de fev. de 2009
Às claras sombras da noite
A claridade da noite clareia. E os fulgores estrelares se movimentam quando clareamos da mesma forma esse brilho que, de um lado a outro, segue. É só olhar para o céu que se verá o passeio de infinitas cintilações. Longe de luzes citadinas e de homens que as escondem, a noite tem sua claridade. As sombrias luzes nunca surgirão assombrosas, pois elas não nos encobrem nada. Por outro lado, em sua insanidade, sob as suas escuridões, muitos homens se escondem – grande refúgio. É que sob essas sombras eles ficam sob as sombras de si mesmos. Essas inumeráveis camadas do sob em que vivem os homens! Aterram-se às noites, formando as suas trevas quando se escurecem da noite e de si mesmos.
A noite não oculta nada! Vejo as sombras noturnas – elas são as suas cores; a suavidade de suas luminosidades; os seus contrastes que são matizes de seus momentos; tornando-se aqui tão claras que aos olhos resplandece. O que se vê é a força flamejante do movimento circular, brilhante e pulsante que possui as estrelas. E todo esse momento se mostra por um movimento tão intenso e vivaz que a noite se torna exultante. Apraz-me retirar da noite as humanas-sombras para consentir as sombras noturnas. Se há poesia nesses instantes? Certamente. A poesia está menos em negar-se ao refúgio delas do que na coragem de ver as estrelas e a noite em superficialidade clara e fulgurante.
A noite não oculta nada! Vejo as sombras noturnas – elas são as suas cores; a suavidade de suas luminosidades; os seus contrastes que são matizes de seus momentos; tornando-se aqui tão claras que aos olhos resplandece. O que se vê é a força flamejante do movimento circular, brilhante e pulsante que possui as estrelas. E todo esse momento se mostra por um movimento tão intenso e vivaz que a noite se torna exultante. Apraz-me retirar da noite as humanas-sombras para consentir as sombras noturnas. Se há poesia nesses instantes? Certamente. A poesia está menos em negar-se ao refúgio delas do que na coragem de ver as estrelas e a noite em superficialidade clara e fulgurante.
(Jefferson Bessa)
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