17 de mai. de 2013
SOMOS MOMOS (Carne e Vendaval de Carnaval)
Este poema faz parte do grupo Carne e vendaval de Carnaval. Ao clicar neste título em Marcadores (na coluna ao lado), os outros poemas poderão ser lidos.
se vierem administrar
vamos gargalhar.
se vierem gritar
se vier propaganda eleitoral
vamos gargalhar.
se fotografarem
se institucionalizarem
se atrapalharem
todo mundo já sabe, hein
vamos gargalhar.
se quiserem acabar
vamos batucar
se quiserem explorar
vamos reclamar
se quiserem me vender
se falarem em inglês
todo mundo já sabe, hein
vamos gargalhar.
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Carne e Vendaval de Carnaval
4 de mai. de 2013
CRUZAMENTOS (Carne e Vendaval de Carnaval II)
lá na esquina
o arcanjo branco
e o diabo vermelho.
na outra esquina
são jorge e o dragão.
na outra, dois homens.
duas mulheres, na outra.
nas esquinas da cidade
uma cigana, um índio
um pirata, uma onça.
nas esquinas da cidade
nas ruas, nos becos
nos cruzamentos
a cidade inteira passa
como se passasse
por uma rua das cruzes.
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Carne e Vendaval de Carnaval
24 de abr. de 2013
CARNE E VENDAVAL DE CARNAVAL I
Esta é a primeira postagem do grupo de poemas que se chama "Carne e Vendaval de Carnaval". Os poemas receberão a etiqueta com o mesmo nome.
que se abriu
a rua.
foi pelo céu do contentamento
que começou
a dança.
foi pelas mãos erguidas
das pessoas
que se abriu a noite.
mas nisso tudo ainda há
o sorriso.
foi certamente por ele
que tudo se abriu
e juntos nós entramos.
agora dentro do sorriso
ninguém quer sair
ninguém pode fechar
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4 de abr. de 2013
NU Nº 4
a nudez clareia sozinha
quantas vezes me disse
se não houvesse roupa
não haveria nudez alguma,
que o tecido de desnudar
veste a existência da nudez.
sua voz quando isso diz
se esconde, se esquece
de ver nos olhos a centelha
do corpo em simples ver.
veja: não vela nem desvela
a nudez se desnuda sozinha.
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16 de mar. de 2013
EM CADA CANTO HÁ UMA LUA
I
em cada canto há uma lua
que surge e na qual habito,
como quem vai para longe
e faz da prata a sua luz.
quando me canso da terra
me despeço de todo mundo
sem dizer, gritar, interrogar
quando me canso da terra
vou embora para a lua:
esta que flutua nos cantos
vista na altura dos olhos
passante no meio da rua
II
há coisas que são lua.
mas nunca sei onde ela está
no leste ou no oeste
na esquina ou no quarto.
sim, cintila muito antiga
mas nunca sei onde está:
de repente as luas caem
feito pessoas que são lua:
chegam, não me lembram
deitam em mim e desço
mas nunca sei onde está
III
quando me canso da terra
vou embora para a lua:
mas não vou para ficar
(quem fica desgosta)
então, volto no passo de ir
e quando novamente vou
volto no passo de não ter pisado
em nenhuma outra terra
senão nesta
nesta mesma em que vivo lua
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19 de fev. de 2013
TOPÁZIO
mas aquele topázio
no modo de ser bruto
que expõe e guarda
sobre a estante
nele há uma grandiosidade
uma força de convite
que se vê em seu olhar
e assim é por ser castanho,
buscando feito uma luz
que bem sabe minerar.
quando ao lado se senta
nada é estranho ao que se associa
é que entre a pele e a pedra
é que entre o corpo e a terra
há uma cor que se vê
que imagina e transa
no tom de ser moreno.
O poema Topázio foi publicado no blog Brasil em versos - AM. Agradeço ao editor Carlos Costa. Para visitar, clique aqui.
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16 de fev. de 2013
Vídeo-poema de CHUVA
O vídeo-poema "Chuva" foi publicado pelos Poetas de Marte. Agradeço. Para visitar, clique aqui.
Jefferson Bessa.
27 de jan. de 2013
HOJE TEU CORPO NÃO SE APROXIMOU
hoje teu corpo não se aproximou
se fixou na exibição de ter corpo
se deitou solitário sobre a cama
esteve comigo, mas não foi corpo
me fez até buscar o que não se busca
procurei o que não se deve esconder
se fixou tanto na tua beleza de vitrine
que congelou o que no corpo é errante
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17 de jan. de 2013
O MUNDO E O FIM
nas vozes se ouve um túmulo
desejado por muitos séculos.
tornou-se pedra nas entranhas.
para essas vozes que dizem
sempre as finalidades de tudo,
fácil é deduzir que desejam
uma finalidade para o mundo:
basta lembrar as conclusões
os resultados, os juízos finais.
como respiram diversas destruições,
a finalidade do mundo deve ser
uma, a que põe termo em tudo:
o fim do mundo.
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21 de dez. de 2012
BEIJO
não pense
muito
não pense
no antes
no depois
do beijo.
pense
pouco
sabemos
de tão pouco
mas juntos
sabemos
por esse pouco
que é muito
por ele
se conhece
por ele te sei
por isso me sabe
basta ver
ouvir
sabemos
um do outro
nesse tudo
que é pouco
não pense
muito
não pense
no antes
no depois
do beijo.
pense
pouco
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4 de dez. de 2012
ME LEMBRO BEM CLARO
me lembro bem claro
te levo aqui perto
agora bem nas mãos
ausente, pois te vi
ontem passou por mim
e agora ainda vejo
ter visto se espalha
e passa por entre mãos,
olhos, boca e pescoço
me lembro bem claro
os olhos te guardam
aberto nas retinas
te levo e tua imagem
agora me vem presente
dentro da mão me deita
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17 de nov. de 2012
SALDO ANUAL
sim, a economia do país cresce
mas nas contas que fizemos
grande parte vem das maravilhas,
das ilhas, das filhas, das meninas.
mas também dos meninos, dos físicos,
dos ares afrodisíacos.
sim, nas contas que fizemos
o afro que se lê em afrodisíaco
provém das rendas de Afrodite.
não, no balanço dessas contas
tivemos de fazer a retificação:
o afro somado ao tempo
nos dá o resultado de que afro
deve ser calculado com africano,
assim, o saldo se afasta dos gregos.
para chegarmos ao verdadeiro saldo:
temos que somar o gringo
mais o povo que para ele vem rindo
mais as correntes que nos prendem.
sim, a economia do país cresce.
(2012)
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