O poema "Hora da poesia" foi publicado no blog "Alma Acreana" do amigo Isaac. Agradeço por partilhar a nossa festa. Para visitar, clique aqui.
15 de abr. de 2014
8 de abr. de 2014
Hora da poesia
a Hora da
poesia
segue a
festa de rua.
cada verso cai
entre cabeças e
pernas
de quem vem
dançar.
do céu o verso cai
desenrola e
se embola
em fitas de
escrita
desce feito
serpentina
a poesia da rua anda
o poema segue e
desce
na Hora de ser festa:
é rua e
todo mundo
alegria de durar muito.
alegria de durar muito.
para além da
semana
para quem
assim quiser
a festa que acorda
pode agora
sempre
O poema "Hoje vou escrever lua" foi divulgado no blog do amigo Rogel Samuel. Clique aqui.
O poema "Hoje vou escrever lua" foi divulgado no blog do amigo Rogel Samuel. Clique aqui.
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Carne e Vendaval de Carnaval
23 de mar. de 2014
QUARTA-FEIRA DE CINZAS I
depois da quarta de cinzas
o tempo passa
na rotina morna de ver
num amontoado de restos.
depois da festa se vive
nas sobras, nas obras
inacabadas da cidade.
a gente fica indiferente
as ruas os pés os olhares
tudo fica só neblina.
quanta bruma pesava
na alma desta pessoa
que inventou as cinzas!
a vida assim se esconde
o tempo se afoga incolor
não tem afoxé, fantasia
nem dança, nem bloco
quase nenhum sorriso.
quarta-feira de cinzas
fecha os dias de poder
dançar e abrir os braços.
no resto dos dias cinzas
quando chegam a sufocar
atravessamos as migalhas
deixadas em alguma esquina
em algum olhar ou fantasia
de alguém que se esquece
e conta uma outra estória
saímos de nós e ali mesmo
sorrimos como quem dança
e sem nos ver dançamos
ali mesmo um para o outro.
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Carne e Vendaval de Carnaval
16 de mar. de 2014
Portal EntreTextos
Agora assino também uma coluna no Portal EntreTextos com postagens de poesia e prosas (meus e alheios). Agradeço ao Rogel Samuel (de quem recebi o convite) e ao Dilson Lages Monteiro. Para visitar o site, clique AQUI.
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Portal Entretextos
23 de fev. de 2014
EU RIO O RIO
quando se diz eu rio
se abre no rir do rio,
lento na curva se vai
formas se encostam
na sua certa errância
o verbo assim existe
quando não se antepõe
ao eu somente pessoal
quando o rio se alarga
passa calmo sem voltar
se abre rio nos lábios
o eu rio vai com o rio
à beira do verbo o som
de água na boca se faz
se desfaz o que estranha
escorre em língua de rio
não tem jeito, quem diz
eu rio não se diz de si
diz no rio e nele os lábios
passam pelo rio rindo
O poema "Eu rio o rio'' foi divulgado no blog de Rogel Samuel. A foto escolhida pelo amigo também aqui foi inserida por estar em perfeita harmonia com o poema. Para visitar, clique AQUI.
Com a mesma honra, informo que o poema foi publicado no blog Alma Acreana de Isaac Melo, clique AQUI. Obrigado!
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Moventes
4 de fev. de 2014
ONDE FOI QUE EU VIM PARAR?
onde foi que eu vim parar?
me largaram nesta terra
nesta em que só se tem
pés e passos que saem
para estar em outra terra
nem se vê simples o solo
pois antes do chão se vê
o céu. Mas deste nada brota,
nada rebenta, nada rasga
e mantiveram os pés no céu
deste dia pra cá se perdeu
o azul, o marrom, o lilás.
por isso aqui me pergunto
onde foi que eu vim parar?
nesta terra sem terra alguma
neste céu que é outra coisa
desses olhares à distância
ao meu redor me cerquei
me prendi e aqui parei.
de tanto ouvir ao longe
fico e imagino outra terra
cansado do que não existe
dizem que me aborreço
desta terra, de estar aqui.
nada disso, nada disso!
esgotado de ter que sair
dela - disto estou cansado -
de olhos que olham pra lá
às vezes me põem algemas
estas de rejeição e ojeriza
e fico em linhas cáusticas.
sem dar por isso me deixo
às vezes ir para esta noite
pobre, cheia de sono pesado
daí olho para o chão e sorrio
e vejo que devo retirar o céu.
não o céu azul acima de mim
mas este que roubou o chão
que leva ao "onde vim parar?"
no qual eles insistem em pisar
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Gagueiras
2 de fev. de 2014
Um poema no blog Alma Acreana
O poema "A palavra do poeta" foi divulgado no blog Alma Acreana. Muito agradecido. Para visitar o blog, clique aqui.
5 de jan. de 2014
A PALAVRA DO POETA
"onde estão teus versos, poeta?
me lembro de teus alexandrinos
de teus ritmos, de tuas palavras!
recite um para ouvirmos
canta ao menos um
canta aqueles versos livres,
aqueles altos, dançantes.
pode ser áspero, pode ser úmido
canta, poeta!
onde estão teus versos?"
"meus versos silenciaram
não tenho mais alexandrinos
não tenho mais versos livres
o que escrevo é o silêncio.
as coisas precisam dormir.
não sei cantar, apenas sei falar
mas as palavras nada dizem
vou seguir meu caminho
já usei muitas palavras, preciso ir
outros virão, outros chegarão"
"canta, então, teu silêncio
o silêncio de teus versos acordará a rua
com o contentamento de ouvir.
nesta rua não temos mais os sinos
ensurdecemos para badalos pesados
nunca mais os ouvimos, pois sempre
nos levam a lembrar, a lembrar
a lembrar de tudo que nunca fizemos.
canta, agora, para esta rua.
sem palavras tu não és poeta
serás aquele homem que há pouco passou.
lá foi ele, seguindo cabisbaixo e rouco,
pensativo e mudo.
canta, então, teu silêncio!"
"não, meu amigo, onde a poesia está
o silêncio não pode estar.
o que não diz não é poema
e eu tão cansado de palavras
me deixei silenciar"
"mas tu não podes esquecer
quando te ouvimos, as palavras cantam
o cansaço provém da tua desconfiança.
canta, homem, diga um verso
e verás que o que se diz se levantará.
canta! todos os ouvidos,
toda a rua se levantará contente.
que seja um verso de tristeza!
canta, verás que todos se levantam
todos se levantarão como um só
ou com muitos sós.
tua palavra bem queima, bem molha.
a quem deste a tua audição?
de quem ouviste este engano?
se deixou ouvir alguém sem ouvidos?
o silêncio não vive para ti
vive para alguém como aquele homem
frio e arrogante de palavras
mas tu és poeta
não podes esquecer:
quando na palavra o mundo chega
com simplicidade sabes levantar
pois com o vento estás.
mas tu és poeta
não podes esquecer:
quando tu escreves,
tudo dança"
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13 de dez. de 2013
OS OLHOS COMEÇARAM A PENAR
às vezes as coisas no homem
dão assim para penar.
e na pena de pensar
e de pensar penando
os olhos começam a penar
como uma vizinha
um mendigo, uma montanha
como pena esta cidade.
de tanto olhar acabei nesta pena
e neste sorriso de canto
(se fosse em branco
como é o branco
não teria pena daquela folha.
mas numa folha impressa
cada pena é a letra da folha.
se fosse folha de poema
mas é folha de jornal.
se fosse folha de árvore
jamais teria pena
mas essa pena é quase
quase uma pena de ave
que na doença perdeu as penas)
às vezes as coisas no homem
dão assim para penar.
como aquele que um dia
esqueceu o leve da pena do pássaro
para dar à pena da composição
o seu grande espírito
que, arrebatado, sentiu dor
e deu à pena a forma de bico
se viu feito um pássaro
mas, sem voo, escreveu
a doença do sentido pena
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Gagueiras
24 de nov. de 2013
A DOR PESADA
agora já não sei quem sofre mais:
se sou eu ou é a minha vizinha.
ela quis me colocar na balança,
quis comparar quem sofre mais
mania de ser mais em tudo que faz
ela toda é só dores, só calafrios
e minha boca assim calada e fria
sente nos ouvidos os sofrimentos
e como dói estar na dor ouvinte!
uma dor impaciente e irritada.
mas a vejo já sofrida só de pensar
em subir no prato da dor da balança
que pesar é o peso das infecções
de minha vizinha! sem o peso
leve da pena, vive no penar
da sensação doída de existir
que prazer de dor terá em ser mais
no mais pesar da balança ofendida?
talvez o prazer da dor na dolorida
medida de sentir mais pena de si
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10 de nov. de 2013
NOITE DE CARNAVAL E OUTRAS NOITES
voltamos juntos
da noite de carnaval
acendemos velas:
a baixa luz se ergue
o corpo acende
agora se vê:
a parafina brinca
o pavio queima
beijamos muito
no quarto iluminado
brincamos feito serpentina
agora se vê:
vamos descendo
agora se vê:
o branco das velas
descendo úmido
no aroma ascendente
dos corpos
noites de carnaval, noites - poema de Rogel Samuel
(para Jefferson Bessa)
noites de carnaval, noites
de ruidoso amor
o baticum dos tambores
africanos
os humores eróticos
os tremores requebrados
passistas apressados
nas noites de antigos
carnavais
perfume de lança-perfumes
inebriantes
fontes
danças de estrelas
na batalha de confetes
requebros noturnos
ruas apertadas
portas abertas
noites de carnaval, noites
de luar
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Carne e Vendaval de Carnaval
25 de out. de 2013
O e-livro no site Entretextos
O site Entretextos divulgou o e-livro "Nos úmidos planos das mãos". Abaixo está o comentário do site. Para acessar clique aqui. Sempre grato!
Jefferson Bessa é poeta. Já conquistou seu "leitorado", mas como o escritor - ou melhor, a obra que escreve e reescreve - vive do contato verbo-auditivo-visual com os leitores, Entretextos apresenta e-livro de Jefferson Bessa. Quem não leu ainda não sabe o que deixa de degustar. Bom apetite!
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E-LIVRO,
Nos úmidos planos das mãos"
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