Este poema faz parte do grupo Carne e vendaval de Carnaval. Ao clicar neste título em Marcadores (na coluna ao lado), os outros poemas poderão ser lidos.
o poeta pula como o carnaval
do meio-fio para o meio da rua,
o poeta pula como o carnaval
para o meio do mundo.
pula de fevereiro para o meio do ano!
pula o verso e no chão se faz
e no meio sempre vai passar.
pula de um extremo ao outro.
e para quem pensa que vai passar
que vai voltar ao normal, pois passa
e que pro meio-fio vamos voltar
grande engano! O verso e a festa
seguem ao largo, passeando
claramente às escondidas.
24 de ago. de 2013
6 de ago. de 2013
EU UM BARRACO SUSPENSO
agora deram pra me olhar
eu um barraco suspenso
no morro de qualquer cidade.
visto de todos os lados sou
uma porta que mal abre
já caída se quiser fechar
sob vento sob chuva
sob sol e sob olhares
eu aqui tão sob, tão sub
eu um barraco em linhas
de tábuas e letras e tosco
um dia desse cai de vez
ou melhor, eu mesmo
armo aqui um barraco
e vou quebrar o barraco
pra fazer cair de vez
eu um barraco no asfalto
faço linhas sem engenho
sem arquiteto, bem torto
por pouco não desabo
se falar mais alto cai
de uma só vez, sem esforço.
sem esforço, sem polidez
esses versos são tábuas
mal cortadas, sem verniz
eu um barraco na cobertura
de frente pro mar de fios
e telefones e carros-carroças.
tudo capengando em belezas
de quem só age pra comprar
ah, sou mesmo é um barraco.
muitos são os barracos por aí.
pregos soltos e enferrujados
que até pra soltar os bichos
tropeçam e se desmontam
se alguém chegar pra exibir
tudo isso na tevê, já sei:
eu que sempre vivi de má fama
não fará diferença alguma.
vou xingar, blasfemar, vou
chegar bêbado, vou gargalhar
tão fraco e tolo sob telhas
entre tijolo e madeiras velhas.
agora me inventaram pros olhos
exóticos; e são de uma bondade
de tirar algumas fotografias
para me guardar na máquina
fazem pra cá viagens doentes
para ver outro enfermo -
eu e outro - viagem de bobo
em aventuras de fotografar
a sua e a minha desventura
lembrança mórbida de quem
na memória já é um enfermo.
gente falsa; gente que se diz
de alteridade e de caridade
deveriam dar um trato nos olhos
nessas manias de guardar.
pro espaço essa gente toda!
eu um barraco que não habita
mas que dura assim enferrujado
Marcadores:
Gagueiras
20 de jul. de 2013
ERA UM CASAL BEM FANTASIADO
Este poema faz parte do grupo Carne e vendaval de Carnaval. Ao clicar neste título em Marcadores (na coluna ao lado), os outros poemas poderão ser lidos.
lá estão vindo os dois
todos olhavam atentos.
um casal bem fantasiado
estavam de ricos e chiques.
passavam dando chiliques
viravam o rosto, o nariz
num olhar de só frescura.
o homem tinha na fantasia
um carro bem caro, claro!
passava ele com olhar alto
dentro de um carro importado
e, por isso, passava por cima
de todos e de tudo, era rico!
e o povo ria e vaiava
e o povo reclamava
e o povo gargalhava.
no carro havia um informe:
"cheguei de avião particular
descemos no meio desta rua
e o povo inteiro teve que parar".
e a mulher dizia: "eu vim de iate
cheguei hoje para o carnaval
depois de muitas viagens que fiz.
nem sei por que vim a essa pobreza!
saiam da frente, saiam da frente".
queria passar por cima de todos
usava perfume francês
e vestia um roupa caríssima
mas que havia sido rasgada
pela queda numa rua dessas.
e as pessoas riam.
ela respondeu: não debochem
se não deixo de fazer caridades.
e o povo ria e vaiava
e o povo reclamava
e o povo gargalhava.
lá estão vindo os dois
todos olhavam atentos.
um casal bem fantasiado
estavam de ricos e chiques.
passavam dando chiliques
viravam o rosto, o nariz
num olhar de só frescura.
o homem tinha na fantasia
um carro bem caro, claro!
passava ele com olhar alto
dentro de um carro importado
e, por isso, passava por cima
de todos e de tudo, era rico!
e o povo ria e vaiava
e o povo reclamava
e o povo gargalhava.
no carro havia um informe:
"cheguei de avião particular
descemos no meio desta rua
e o povo inteiro teve que parar".
e a mulher dizia: "eu vim de iate
cheguei hoje para o carnaval
depois de muitas viagens que fiz.
nem sei por que vim a essa pobreza!
saiam da frente, saiam da frente".
queria passar por cima de todos
usava perfume francês
e vestia um roupa caríssima
mas que havia sido rasgada
pela queda numa rua dessas.
e as pessoas riam.
ela respondeu: não debochem
se não deixo de fazer caridades.
e o povo ria e vaiava
e o povo reclamava
e o povo gargalhava.
Marcadores:
Carne e Vendaval de Carnaval
5 de jul. de 2013
DISSE PRA ME ESPERAR
Este poema faz parte do grupo Carne e vendaval de Carnaval. Ao clicar neste título em Marcadores (na coluna ao lado), os outros poemas poderão ser lidos.
Disse pra me esperar
Mas desceu a ladeira
Te vejo agora de longe.
Não quis me esperar
Fiquei assim sem eira
Nem beira e de monge
Fantasiado ao seu lado
Dança teu novo amor.
Mas agora não espero
Amor vai passando...
Vou descer a ladeira.
A chuva começou
Desmanchou o desespero.
Agora vou descendo...
No som da violeira
Vamos chovendo
Molhando e descendo
No acaso do Amor.
Disse pra me esperar
Mas desceu a ladeira
Te vejo agora de longe.
Não quis me esperar
Fiquei assim sem eira
Nem beira e de monge
Fantasiado ao seu lado
Dança teu novo amor.
Mas agora não espero
Amor vai passando...
Vou descer a ladeira.
A chuva começou
Desmanchou o desespero.
Agora vou descendo...
No som da violeira
Vamos chovendo
Molhando e descendo
No acaso do Amor.
Marcadores:
Carne e Vendaval de Carnaval
19 de jun. de 2013
POUQUÍSSIMA LUZ
pouquíssima luz
não se vê nem o todo
nem as partes
nada se exibe
nada tem caras e bocas
pouquíssima luz
só na claridade do nu
beijos e mãos
desfocados na nitidez
o rosto do corpo
na claridade do áspero
do úmido
coisa de pele
Marcadores:
poemas-corpo
10 de jun. de 2013
DO MEIO DA RUA SURGIU
Este poema faz parte do grupo Carne e vendaval de Carnaval. Ao clicar neste título em Marcadores (na coluna ao lado), os outros poemas poderão ser lidos.
do meio da rua surgiu
em fantasia de carnaval
o diabo.
não houve medo algum.
com o diabo todos brincaram.
do meio do mundo
o diabo de repente surgiu.
de pele vermelha
dois chifres e brincalhão.
com o diabo todos brincaram.
entre homem e animal nos veio e disse
inteligentemente para arrancarmos
a cinza do medo
que só existe dentro do homem.
para afastá-la basta apenas
brincar e dançar.
lá vai o diabo sozinho
sumiu no meio da rua
no meio do povo
ele surgiu e desapareceu.
do meio da rua surgiu
em fantasia de carnaval
o diabo.
não houve medo algum.
com o diabo todos brincaram.
do meio do mundo
o diabo de repente surgiu.
de pele vermelha
dois chifres e brincalhão.
com o diabo todos brincaram.
entre homem e animal nos veio e disse
inteligentemente para arrancarmos
a cinza do medo
que só existe dentro do homem.
para afastá-la basta apenas
brincar e dançar.
lá vai o diabo sozinho
sumiu no meio da rua
no meio do povo
ele surgiu e desapareceu.
Marcadores:
Carne e Vendaval de Carnaval
30 de mai. de 2013
DANÇA E BEM SORRI (Carne e Vendaval de Carnaval)
Este poema faz parte do grupo Carne e vendaval de Carnaval. Ao clicar neste título em Marcadores (na coluna ao lado), os outros poemas poderão ser lidos.
dança e bem sorri
e também franze
a sobrancelha.
sabe bem sorrir
e pra quem atrapalha
faz logo cara feia.
se chamar de palhaço
o povo e o poeta
rápido viramos espantalho
recebemos cafuné
mas não nos faça de tolo.
não fazemos média.
melhor chegar manso,
pois de carne e vendaval
fazemos nosso carnaval.
Marcadores:
Carne e Vendaval de Carnaval
17 de mai. de 2013
SOMOS MOMOS (Carne e Vendaval de Carnaval)
Este poema faz parte do grupo Carne e vendaval de Carnaval. Ao clicar neste título em Marcadores (na coluna ao lado), os outros poemas poderão ser lidos.
se vierem administrar
vamos gargalhar.
se vierem gritar
se vier propaganda eleitoral
vamos gargalhar.
se fotografarem
se institucionalizarem
se atrapalharem
todo mundo já sabe, hein
vamos gargalhar.
se quiserem acabar
vamos batucar
se quiserem explorar
vamos reclamar
se quiserem me vender
se falarem em inglês
todo mundo já sabe, hein
vamos gargalhar.
Marcadores:
Carne e Vendaval de Carnaval
4 de mai. de 2013
CRUZAMENTOS (Carne e Vendaval de Carnaval II)
lá na esquina
o arcanjo branco
e o diabo vermelho.
na outra esquina
são jorge e o dragão.
na outra, dois homens.
duas mulheres, na outra.
nas esquinas da cidade
uma cigana, um índio
um pirata, uma onça.
nas esquinas da cidade
nas ruas, nos becos
nos cruzamentos
a cidade inteira passa
como se passasse
por uma rua das cruzes.
Marcadores:
Carne e Vendaval de Carnaval
24 de abr. de 2013
CARNE E VENDAVAL DE CARNAVAL I
Esta é a primeira postagem do grupo de poemas que se chama "Carne e Vendaval de Carnaval". Os poemas receberão a etiqueta com o mesmo nome.
que se abriu
a rua.
foi pelo céu do contentamento
que começou
a dança.
foi pelas mãos erguidas
das pessoas
que se abriu a noite.
mas nisso tudo ainda há
o sorriso.
foi certamente por ele
que tudo se abriu
e juntos nós entramos.
agora dentro do sorriso
ninguém quer sair
ninguém pode fechar
Marcadores:
Carne e Vendaval de Carnaval
4 de abr. de 2013
NU Nº 4
a nudez clareia sozinha
quantas vezes me disse
se não houvesse roupa
não haveria nudez alguma,
que o tecido de desnudar
veste a existência da nudez.
sua voz quando isso diz
se esconde, se esquece
de ver nos olhos a centelha
do corpo em simples ver.
veja: não vela nem desvela
a nudez se desnuda sozinha.
Marcadores:
poemas-corpo
16 de mar. de 2013
EM CADA CANTO HÁ UMA LUA
I
em cada canto há uma lua
que surge e na qual habito,
como quem vai para longe
e faz da prata a sua luz.
quando me canso da terra
me despeço de todo mundo
sem dizer, gritar, interrogar
quando me canso da terra
vou embora para a lua:
esta que flutua nos cantos
vista na altura dos olhos
passante no meio da rua
II
há coisas que são lua.
mas nunca sei onde ela está
no leste ou no oeste
na esquina ou no quarto.
sim, cintila muito antiga
mas nunca sei onde está:
de repente as luas caem
feito pessoas que são lua:
chegam, não me lembram
deitam em mim e desço
mas nunca sei onde está
III
quando me canso da terra
vou embora para a lua:
mas não vou para ficar
(quem fica desgosta)
então, volto no passo de ir
e quando novamente vou
volto no passo de não ter pisado
em nenhuma outra terra
senão nesta
nesta mesma em que vivo lua
Marcadores:
Moventes
Assinar:
Postagens (Atom)