29 de nov. de 2009

Minha Letra é Outra: um novo poema em novo blog


Clique AQUI para ser direcionado ao outro blog que construí. Ele foi elaborado exclusivamente para a publicação de um poema escrito por mim e intitulado "Minha Letra é Outra". Por enquanto, o poema é composto por oito cantos.

Abraço a todos.

Jefferson

20 de nov. de 2009

Encontros


foto encontrada na net sem referência

nada origina um movimento

nada por si se move

nada o outro move sozinho

nada se move sem mover

nada sem mover é movido.

sem motores, sem ação

inércia ou lugar

nada vive em solidão.

12 de nov. de 2009

Buscar


hoje ficarei em casa

de antemão sei que nada vou achar - não sairei

até iria se não buscasse nada, mas hoje insisto em procurar - como quando perco algo em casa

se tivesse perdido alguma coisa, não hesitaria a sair, é certo!

ainda que eu não encontrasse e provavelmente não encontraria. mas saberia o que buscar

pensei em inventar algo para procurar. hoje, contudo, não posso

então estou aqui e escrevo isto – e com isto escrito não busco nada

afirmo: ao terminar de ler nada encontrará. bastaria ler sem esperar nada; assim como eu escrevo isto

nem penso mais no que deve ter de agradável ou desagradável em não buscar

começo a curtir isto que não leva ao fim de nada

então fique certo de que não há nada aos pés do que se lê
no fim dele não há saída, porque não sairia por nenhuma porta que não tivesse entrado

não procuro saída

surge agora o que não busquei - não é contemplação, nem epifania
nem vou buscar saber o que é!

no entanto, eclode a forma de mim e por ela saio pleno.
basta ler:
é só não sair para conseguir sair, por isso agora sairei
vou à rua

(Jefferson Bessa)

* figura que representa o ajna

5 de nov. de 2009

Comentário de Rogel Samuel sobre o verso-corpo de Jefferson Bessa

Escreveu Rogel Samuel:


Jefferson Bessa escreveu um dos seus melhores poemas, o mais erótico, o mais interessante.

Na realidade ali vejo, ali leio um ato copular, excelente e sensual. A poesia erótica fina, que tem sua própria estética, como escreveu o autor: "Penso que os melhores são os que fazem do erotismo uma própria estética...pensar na constituição de um verso com o erotismo que há no corpo humano e, por outro lado, o verso que se torna erótico por ser também um corpo ao lado de outro corpo - o corpo humano".


Nada melhor, nada mais sagrado do que a expressão do corpo humano, com seus músculos, com seus braços, ombros e mãos, e mesmo o "verso vigoroso". Difícil é esta arte de expressar a erótica da arte, ou seja, a estética erótica.

São poucos os escritores de eros, poucos que sabem (de sabor e de saber) dar conta do corpo de prazer.

Os antigos gregos o sabiam. Os grandes iogues tântricos o praticavam. Nossa civilização foi perdendo e desgastando e corrompendo esta arte fina.


verso-corpo

Jefferson Bessa

no vão do braço
no vão dos músculos
o verso sobe e se deita

na contração natural se esvai,
na linha de fibra cordial
o verso desce e desliza

ombros e mãos se elevam
tudo recebe assim afável
a cavidade crescente cortês

o corpo se abre como assento
nele aqui deixarei se sentar
o verso ofertado e mais vigoroso

4 de nov. de 2009

verso-corpo

Fotografia de Jefferson Bessa

no vão do braço
no vão dos músculos
o verso sobe e se deita

na contração natural se esvai,
na linha de fibra cordial
o verso desce e desliza

ombros e mãos se elevam
tudo recebe assim afável
a cavidade crescente cortês

o corpo se abre como assento
nele aqui deixarei se sentar
o verso ofertado e mais vigoroso