17 de jul de 2016

VOLTAR



voltar a este quarto
às cortinas
à janela
às toalhas
à cama
voltar ao espelho
voltar como sempre
ao mesmo deste lugar

foi nesta hora
que quase me deixei
ser o mesmo
com os objetos do quarto.
por um momento
quase deixei o beijo
como um passado
e me lancei a dormir
o sono de olhares iguais.
por pouco não me estendi
sobre a cama como roupas
penduradas em cabide.
mas foram essas roupas
as últimas coisas iguais

agora volto
como se estivesse indo
porque tua nudez,
tua pele, teus beijos,
teus dedos e abraços
o moreno do odor de teus braços
me fizeram voltar

como se nada fosse antes

Jefferson Bessa
Do livro Chão da pele (2015) 

Um comentário:

ROGEL SAMUEL disse...

UM DOS SEUS BELOS POEMAS...