28 de nov de 2014

ME CONCEDERAM UM EMPREGO


I

me concederam um emprego
nele não me emprego
nem ele a mim se emprega

somamos juntos um tempo vago
não o vago que se emprega
mas o solto que há no preso

me concederam um emprego
sem emprego nem martelo
não há elo e nem poderia haver

nem um prego na parede se prende
quando se prende está frouxo
quando frouxo trepida na ferrugem

II

o que se vê dos dias é o calendário
chegar dia cinco ou dia primeiro
o que se espera dos dias é o pagamento

sem me empregar recebo os dias
pagando o recebimento da ninharia
recebendo o pagamento da punição

nada se faz do resgate do vago tempo
reparo assim dos dias que se fazem
às mãos recebo a pendência mensal

não sei, mas levo às escondidas
em algum bolso da minha calça
um sorriso a isso e um desemprego 

mas o que foi mesmo que roubei?

2 comentários:

ROGEL SAMUEL disse...

SUA BALADA DO DESEMPREGADO NOS LEMBRA QUE A PROFISSÃO DE POETA NÃO É RECONHECIDA, NINGUÉM SABE OU RESPEITA.

lupuscanissignatus disse...

o ritmo, a música e a vibração roubam-nos um sorriso, sim, mas concedem-nos um olhar amplo sobre a precariedade laboral (ou será global?)

abraço.