6 de nov de 2011

PRIMEIRA NOITE

estive por inteiro num corpo
que não conhecia
era a primeira noite

lembro que a noite era
de muita chuva
e hoje me chovem as noites e os dias

jamais saberei quem foi este
tu que vieste
na presença de um sonho
de transpirar

quando acordei
pulsando e trêmulo
encharcava todo o quarto

e já deitado sobre
o lençol branco

sobre a terra estendido
respirei o odor branco de chuva
o cheiro de corpo molhado

do rosto com quem sonhei
vislumbro poucos traços
mas tenho sob a vista
sobre a cama
o instante do sonho
derretido em branco

6 comentários:

teca disse...

Sonho que nunca virá... dá uma angústia...

Beijo carinhoso.

ROGEL SAMUEL disse...

forte compacto impressionante poema

MIRZE disse...

EXCELENTE, Jefferson!

Esse instante do sonho que depois foge porque despertamos, me irrita profundamente.

às vezes tento dormir e sonhar o mesmo sonho. Impossível!

Lindo, perfeito!

Beijos

Mirze

Maíra da Fonseca Ramos disse...

Lindos teus poemas, rapaz! Cheios de intensidade...

Jefferson Bessa disse...

Maíra, agradeço o comentário. Seja sempre bem-vinda ao blog. Abraço.
Jefferson

Jonathan disse...

Nooooooossa! Bom pacas, Jeff! Só isso que consigo dizer!