19 de nov de 2010

Conversas I

Comecei uma conversa interminável com um amigo. Por email trocamos palavras a partir de alguma coisa que se leu sobre o silêncio. Diria ele que esse início é um paradoxo. No entanto, para mim, como nada está em silêncio, não passa de uma extensão da fala. Tal conversa vou postando aos poucos neste blog.
Amigo: Gostei de ler “onde está o silêncio das coisas?”. O que tem a ver ruído com som? Um é incompatível com outro. Não sei como pôde pensar em conciliar.

Jefferson: Não pensei em conciliar. Não terá você em mente uma teoria da comunicação que entende ruído como uma interferência que acontece durante a comunicação. O estrondo de um motor, nesse caso, poderia ser ruído se atrapalhasse nosso papo, se não conseguisse me ouvir, não é isso?

Amigo: O motor de carro ou de ônibus é sempre um ruído, Jefferson. Interfere sempre um pensamento, uma conversa, um sentimento. Sempre interfere.

Jefferson: Não é um ruído, amigo. É a fúria das cidades. Interfere, claro. Mas ruído é som que nos ensina a inventar uma palavra, por exemplo. Ruído é o que produz o mar quando se movimenta; é estalo; é poesia. Som é o que se ouve dele. Estão juntos.

Amigo: Um prazer perceber o paradoxo do nosso diálogo. Do silêncio também se pode escrever.

Jefferson: Será que tudo não é paradoxo? Ou paradoxo é tudo? Mas o que é assim nem mesmo se define. Não se nega e nem se afirma. Basta dizer que o silêncio se apresenta em som. Não é uma questão de existir ou não. 

4 comentários:

Zélia Guardiano disse...

Adorei o seu texto, Jefferson!
Gosto muito de escritos acerca de conversas, ainda mais, quando, paradoxalmente, o tema é o silêncio(ou não, como diria o Caetano Veloso)...
Brincadeira à parte, postagem mais do que interessante!
Grande abraço, meu estimado amigo.

homensdopantano disse...

nada nódua vento leve espaço buraco vazio pouco quase brisa

teca disse...

Ah... gosto muito disso... conversas "ruidosas" que acrescentam...

Beijos de bom domingo!

estrelas e galáxias disse...

Como o seu texto me interessa, Jefferson!


espero poder continuar a lê-lo.


Beijo,