1 de jul de 2010

como quem olha da varanda


não fico como quem olha da varanda
como quem fica somente com o meio
com a linha da sombra na parede
que me divide o sol matinal
me repartindo a manhã
metade dentro, outra fora

desço as escadas, abro a porta
fico com o corpo todo descido
do lado de fora assim deitado
sob a luz que escorre e afaga
me tira a roupa e comigo sorri
e correndo vem a hora nos encontrar

*foto sem crédito encontrada na net

9 comentários:

Ana Lucia Franco disse...

Jefferson, entre a perspectiva da varanda e a descida, a poesia escolhe a entrega às horas, ao dia, à luz "que tira a roupa". Boa opção!

bjs.

dade amorim disse...

Poesia é assim, sempre a expectativa do que a vida tem de melhor, ou do modo mais espontâneo de ser e de viver. E nisso você é mestre, Jefferson.
Um beijo.

Jefferson Bessa disse...

Um satisfação receber o comentário de duas poetas. Grato pela leitura. Beijos.

Anônimo disse...

jefferson, o que a sombra divide em ti impulsionas a
d
e
s
c
e
r
ao inteiro.
b
e
l
o

ROGEL SAMUEL disse...

É BEM VC, ESSE POEMA, BELO E AO SOL

teca disse...

"Ler um poema diariamente é tão necessário quanto dormir e acordar todos os dias. "

Gostei disso! E concordo!
Virei mais vezes aqui, pode crer!

Beijos.

Gerana Damulakis disse...

Nota: o poema começa com um "não", no entanto é afirmativo; especial.

lupussignatus disse...

"movimento

perpétuo"


[não sei porquê
mas à memória
veio a música
de Carlos Paredes]

Jonathan disse...

Mt bom, Jefferson!!!!