15 de mai de 2010

QUEDAS

as quedas que se abrem
têm no som os ruídos
menos estrondosos que
as ruínas dos poderes,
não têm ouro a se perder,
nem o que pecar,
não têm desventuras
nem mesmo um fim

me ponha nos olhos, queda,
a atenção para crateras
que meus pés calçam,
cair com os buracos
e desabar como queda d’água.
me traga o pulo dos tombos
para andar pelo desenho
mal feito das ruas

a outras quedas me largarei -
tenho uma queda pelos beijos.
vou perder a força no declinar
e me derrubar a todos os lábios
e me deitar em todos os braços.
seja hábil, queda, às minhas pernas
para faíscas brilharem
quando ao chão derrapar

*alguns créditos das imagens inseridas na montagem: no fundo, O beijo de Pablo Picasso - que também aparece no canto superior direito. No canto superior esquerdo, O beijo de Munch. As outras foram encontradas na net sem créditos.

3 comentários:

Gerana Damulakis disse...

Um poema e tanto. Um final estupendo ("seja hábil, queda, às minhas pernas
para faíscas brilharem
quando ao chão derrapar"). Bravo!

ROGEL SAMUEL disse...

BOM, COMO SEMPRE, EXEMPLAR, ABRAÇO

Nydia Bonetti disse...

quedas e quedas. as d'água me encantam - das que não ferem... lindo poema, Jefferson. beijo.