31 de mai de 2010

CORPO LIDO




no meio da página
respira úmido
o poema é corpo

o céu reflete a folha
nua a mostrar os braços
na dança escrita

pelo paladar escorrem
diversos sabores
de versos ingeridos

no leito da audição
da boca sai o som
a dizer claro sussurro

na ponta dos olhos
se vê a pele tesa
a letra tateando

sobraram palavras
a noite farta vai arrastá-las
às entradas do corpo lido

5 comentários:

Jonathan disse...

Gostei mt!!! Vc escolheu bem as palavras, dá quase pra sentir o poema-corpo!!!

Gerana Damulakis disse...

Sabe o momento impactante? "sobraram palavras": gostei imensamente deste verso,incrível.

Nydia Bonetti disse...

Nossa, que poema, Bessa! Sem palavras... beijo.

Renata de Aragão Lopes disse...

"o poema é corpo"

Lembrei-me do poema "Elementar",
há muito publicado
em minha confeitaria poética.

Beijo,
doce de lira

Ninil Gonçalves disse...

O poema nunca se contenta em vestir-se de pura abstração e invade cada parte do corpo de maneira pungentemente essencial e quase táctil.

Parabéns!