1 de mar de 2010

para me chover


permaneço no quarto que não se abre
a chuva já começou a cair
a rua está úmida, as águas acontecem
abriram-se as portas, mas a demora
me continua na noite do calor passado
sentado ainda no ontem que estou.

demorado quarto dentro de paredes
arrastadas na distância de banhar-se.
à espera do lentamente vir do tempo
e no espaço, desembrulham as camadas
pintadas de concreto resistentes ao frescor
confinado no intervalo anterior à manhã

aguardarei a hora da tarde para me chover.

8 comentários:

Wilson Torres Nanini disse...

Seu poema me remeteu uma imagem que, em mim, lateja seu fogo incansável. Uma tarde, após uma chuva no mês de agosto, há uns 5 anos, estava de carro pela minha cidade, e a chuva havia derrubado muitas flores de ipês, que adornam as ruas. Aquele asfalto amarelecido continua me suscitando poemas que ainda não ousei colocar no papel.

Seu maravilhos poema, como aquele chão negro e úmido, contrastando com o amarelo das flores devassadas, me remete a outros poemas, que certamente irão se juntar ao meu espólio mais valioso. Abraços!

Jefferson Bessa disse...

Wilson, obrigado pelo comentário e por compartilhar sua experiência conosco. A natureza, certamente, indica os melhores caminhos pelos quais devemos olhar.

Abraço.

Jefferson.

Sílvia disse...

eu vou esperar o meu sol :)

Nydia Bonetti disse...

As águas acontecem, quando têm que acontecer. Como as flores - inevitavelmente elas virão. Que lindo, Bessa. Beijo!

Gerana Damulakis disse...

Os próprios versos já trazem a idéia da chuva, eles são longos, preparam a hora da tarde "para me chover". Parabéns, JB!

Jefferson Bessa disse...

Sílvia, seja bem-vinda!

Obrigado pela visita. Abraços.

Jefferson Bessa disse...

Oi, Nydia! Sempre agradável recebê-la aqui. Obrigado :D


Beijo. Jefferson.

Jefferson Bessa disse...

Que lindo comentário. Agradeço, Gerana! Abraços.