20 de dez de 2009

identidade


primeiro inventaram a identidade
segundo me disseram que eu a perdi
terceiro digo a todos que nunca a tive.

perdi a identidade, mas só o papel
esta que faz de mim números apenas,
por ela se faz numerologia até.

se vê meu destino, se vê meu espelho
e se sou um todo ou diversas partes.
depois de procurar pela casa inteira

confesso que aqui perdi só a de papel
deram-me pronta como se fosse eu
essa é a que poderia perder, é a que tive

mas ela – que é a única que sempre existiu –
posso ganhar, tirar a segunda via
mas essa outra nunca senti em meu corpo




4 comentários:

maria azenha disse...

bem interessante a problemática do "eu" e " não-eu"... bem Pessoano:)
gostei muito, Amigo,

Beijo,

mariah

ROGEL SAMUEL disse...

excelente poema sobre a perda da identidade, a identidade perdida e a busco de si mesmo no espelho de si.

Jefferson Bessa disse...

é tão bom acordar e encontrar os amigos por aqui!

Um prazer tê-los neste blog.

Jefferson.

dade amorim disse...

Identidades, de papel, de espelho, de carne e osso - quantas serão? Será que não variam com as estações, a chuva e o sol? A manhã, a tarde e a noite são diferentes da identidade da madrugada?

Enquanto pensamos nesse e em outros problemas assim cheios de sumo, tomara que o Natal e o ano novo nos venham favoráveis, Jefferson.

Um beijo.