7 de jul de 2009

A NOITE DA RUA


A noite da rua sinaliza ao meu passo
A clara ausência do que a faz rua

Com semáforo ligado para ninguém
A rua sinaliza para mim sua face

Por ela só o vento faz os cruzamentos
Com um som passante dentre as árvores

A rua da noite assim segue a ela mesma
Como trilha que não é de nenhum carro

Sob seus olhos sou o que passa
Simples no andar vagaroso das pernas

E sua única seta indica paredes calmas
Como os muros do meu corpo

Entre nós nada além do que se mostra:
Atravessamos um ao outro

Agora temos entradas e saídas -

Por entre portas nos passamos

Jefferson Bessa

7 comentários:

dade amorim disse...

A rua da noite às vezes é um mergulho na não-cidade.
Beijo pra você.

ROGEL SAMUEL disse...

bom com sempre, poeta

Jefferson Bessa disse...

Adelaide Amorim, a noite também revela a propriedade das coisas - a da rua, inclusive! Obrigado pela leitura.

Um beijo.

Jefferson Bessa disse...

Amigo Rogel, sempre recebo com muito carinho seus comentários. Muita paz.

Um forte abraço.
Jefferson.

Lídia Borges disse...

A rua, à noite...
O deserto em nós, "nada além do que se mostra"

Muito bonito!

L.B.

Jefferson Bessa disse...

Sim, Lídia Borges! O deserto da rua que se exibe a nós. Obrigado pela leitura.

Um abraço.
Jefferson.

lupussignatus disse...

o rasto

da

noite




*abraço*